3 conjuntos de habilidades que a escola não ensina (e onde aprender cada um)

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Entrando pela porta de uma sala de aula qualquer, podemos ver uma turma enorme e um professor com uma carga de trabalho absurda em um modelo de ensino mais velho que qualquer um de nós.

Enquanto a tecnologia se torna cada vez mais presente na vida dos estudantes, dentro de algumas salas ainda é proibido o uso de celular (certos estados proibem por lei!); ao invés de buscar formas para que eles ajudem na educação.

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Qual é o papel da escola hoje, quando qualquer aula tradicional já está no Youtube, e as relações sociais ganham contornos nunca antes vistos?

E qual papel ela pode ter no futuro em que, potencialmente, algo tão estranho quanto a Inteligência Artificial se tornará uma realidade e os óculos de realidade virtual estarão nas mãos de qualquer criança?

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É urgente rever os conteúdos que a escola, como instituição, entrega para seus alunos – vivemos um momento em que a tecnologia nos faz pensar, em última instância, qual é o significado de ser humano.

Ensinar algumas habilidades de convívio, novas maneiras de pensamento, e – sobretudo – preparar os alunos não para responder questões sobre problemas do passado, mas para lidar de forma criativa com as dificuldades do mundo atual, além das que ainda estão por vir, pode ser um começo.

Nesse post eu quero compartilhar com você três conjuntos de habilidades que a escola não ensina, e deixar algumas fontes que abordam melhor cada um deles.

Uma conversa com professores que buscam levar a inovação para dentro de suas salas, e para quem saiu da escola (ou faculdade) sentindo que não aprendeu metade do que deveria para se dar bem no mundo aqui fora.

Não deixe de colaborar com essa discussão – use o espaço dos comentários para acrescentar novas ideas, ou mesmo para discordar totalmente do que está nesse post.

Precisamos discutir a escola não só como um local para preparar trabalhadores, mas como a primeira experiência social fora do ambiente familiar – um local para, fundamentalmente, preparar seres humanos.

Resolver problemas

A primeira categoria de habilidades que a escola não ensina está ligada à solução de problemas. O modelo de estudar alguns meses > responder provas > repetir o ciclo infinitamente, nos faz trazer para a mesa sempre mais do mesmo.

Isso nos faz perder três habilidades que podem ser responsáveis pelo sucesso de qualquer pessoa que desenvolva uma ou mais delas: Resolver problemas de formas novas, Resolver novos problemas, e Resolver problemas que ainda não “existem”.

Resolver problemas de formas novas

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Responder as perguntas de forma correta é tudo que importa, e a forma como se chega às soluções parece não ter qualquer valor.

Com turmas de dezenas de estudantes e professores sobrecarregados, a “epidemia” das provas de marcar faz com que o único critério para decidir se um aluno é bom ou não é ser capaz de marcar um ‘x’ no lugar correto.

Além disso, a cola se torna quase uma regra entre os estudantes, já que – convenhamos – obter as respostas quando só é preciso marcar uma opção, ao invés de expressar uma linha de pensamento, é de uma facilidade incrível.

Comunidades humanas dependem de uma diversidade de talentos, não de uma concepção singular de habilidade.

Sir Ken Robinson, autor, palestrante e consultor internacional nomeado cavaleiro pela rainha Elizabeth devido aos serviços prestados às artes e educação.

Resolver novos problemas

Não bastando o fato de que a forma como se resolve um problema deixou de ter qualquer importância, resolver problemas em si não é algo muito visto em uma escola.

Continuamos estudando o que pode ser chamado de “história das disciplinas”. Aprendemos a história da biologia, a história da matemática, a história do português – e pouca (ou nenhuma) atenção é dada aos problemas atuais.

Nada contra a história, que era inclusive uma das minhas disciplinas favoritas, mas se “devemos estudar o passado para entender o presente” – como diziam meus professores, porque não estamos fazendo a transição entre os tempos?

Resolver problemas que ainda não “existem”

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Se não aprendemos a resolver novos problemas, muito menos temos acesso à disciplinas que ajudem a criar soluções para dificuldades que ainda sequer são aparentes.

Pense nos smartphones, por exemplo; até alguns anos atrás, poucas pessoas nem sabiam que precisavam de um, enquanto hoje estão presentes em qualquer bolso. Os aparelhos criaram a demanda por si mesmos.

Esse tipo de ideia não costuma surgir naturalmente quando tudo que aprendemos por anos e anos é encontrar a opção na qual um ‘x’ deve ser marcado.

Onde aprender a resolver problemas?

Libertando o Poder Criativo

Escrito por Sir Ken Robinson, uma das maiores referências mundiais em educação, Libertando o Poder Criativo busca ajudar as pessoas a compreender a extensão de sua capacidade criativa e o que as levou a duvidar delas.

Não se trata de desenvolver a criatividade, mas de se reencontrar com essa força que está aí dentro desde que você era uma criança e não deixava nada entre você e a sua criatividade.

Sir Robinson também é autor da palestra mais assistida do TED, com mais de 13 milhões de acessos, chamada “As escolas matam a criatividade?”.

Criatividade S.A.

Já imaginou de onde surgem as ideias para os filmes da Pixar? Sucessos do cinema como Monstros S.A., Toy Story e Procurando Nemo são explicados em Criatividade S.A., livro de Ed Catmull, um dos fundadores do estúdio.

Você vai ver que essas animações não surgiram de um único momento de inspiração, e sim que foram construídas dentro de um ambiente empresarial que “estimula a ousadia e renega a convenção”.

São lições valiosas para criar um ambiente escolar com valores semelhantes, e também para quem já saiu da escola e quer se reaproximar de sua criatividade.

Grande Magia

Em alguns momentos, as ideias se aproximam de nós, mas se deixarmos medo e insegurança nos dominarem, elas irão embora rapidamente, em busca de outra pessoa que as tragam ao mundo.

Como a autora Elizabeth Gilbert de Comer, Rezar e Amar, fez essa relação com a criatividade funcionar para ela, e como se prepara para estar pronta quando uma ideia surge? É o que ela mesma conta em Grande Magia.

Para ela, ser criativo não é apenas se dedicar profissional ou exclusivamente às artes: uma vida criativa é aquela motivada pela curiosidade. Uma vida sem medo, um ato de coragem.

Escola não ensina relacionamentos e convívio

Agora que vimos como não fomos nem um pouco preparados para resolver problemas, em nossos anos de escola, vamos dar uma olhada em que complicações específicas a escola poderia ter nos ajudado – ou estar ajudando – a solucionar.

Em primeiro lugar, poderíamos aprender na escola a lidar melhor com as questões de convívio e relacionamentos, que são a base da vida humana.

Compreender a saúde mental

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Uma das coisas mais tristes hoje em dia é ver alguém tratar doenças tão sérias quanto depressão e ansiedade como bobagem, tentativa de chamar atenção, ou “falta de surra”.

Obviamente, esse comportamento é normalmente reproduzido de geração para geração dentro de casa – pais que ignoram esses problemas ensinam os filhos a ignorar esses problemas.

Mas a escola, como o lugar onde desenvolvemos nossas primeiras relações sociais, deveria ter um papel relevante nessa discussão, trazendo profissionais de saúde para trabalhar junto aos professores e alunos para criar formas de fazer com que essas doenças parem de ser tratadas como tabus ou besteira.

Empatia

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Como eu disse, a escola é o lugar onde desenvolvemos nossas primeiras relações sociais, o convívio com pessoas que não fazem parte da nossa família.

Como sorte, alguns estudantes vão conseguir tirar boas lições dos mais de 10 anos no ambiente escolar, mas esse ambiente, como um todo, não é favorável para que bons relacionamentos se desenvolvam.

Os estudantes tendem a criar grupos bastante restritos, e excluir quem eles consideram “diferente”. Não bastasse essa exclusão, ainda é comum em muitos desses grupos perseguir quem não se enquadra no perfil deles (bullying).

Muitos professores tentam manter uma convivência minimamente aceitável, mas não conseguem encontrar o ponto de diálogo com os alunos, que os vêem como velhos / chatos / intrometidos.

Inteligência Intrapessoal

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O bom e velho autoconhecimento, apesar de ser um clichê conhecido por qualquer um, é uma habilidade que poucos dominam.

E eu não estou falando sobre aquele teste vocacional do G1 que você faz quando fica sem saco de estudar para o Enem, e mostra um resultado tão “preciso” quanto dizer que você gosta de Coisas e pode ser: Gastrônomo, mecânico, artista plástico, dentista, agrônomo, químico, piloto, farmacêutico, eletricista e engenheiros em geral – mesmo quando você tem certeza que sua maior paixão é escrever.

Autoconhecimento é saber quais as suas paixões e os seus medos, as coisas que te fazem correr até elas e as que te fazem correr para longe delas; com que tipo de pessoas você tende a trabalhar melhor; se você é introvertido ou extrovertido; racional ou emocional; impulsivo ou analítico.

Não ter esse conhecimento sobre nós mesmos é o que acaba nos jogando em empregos e relacionamentos que detestamos, sem saber como sair deles ou, pelo menos, para onde queremos realmente ir.

Persuasão

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Quantas vezes você deu uma ideia que, na sua visão, seria o ideal para resolver um problema, mas uma outra sugestão aparentemente pior foi aceita pelas pessoas que deveriam tomar a decisão?

A pessoa que teve a sugestão aceita, provavelmente, usou técnicas de persuasão, a que é basicamente a habilidade de convencer alguém a fazer algo.

Na escola, poderíamos ter um melhor desenvolvimento da persuasão ao realizar debates sobre temas polêmicos, ou mesmo apresentações diretas em que os alunos fossem avaliados por conseguir fazer com que sua visão sobre um determinado assunto fosse aceita por parte turma.

Além disso, conhecer essa habilidade é fundamental para evitar ser persuadido por pessoas mal intencionadas que possuem domínio sobre as técnicas de persuasão.

Onde aprender mais sobre relacionamentos?

O demônio do meio-dia: Uma anatomia da depressão

O autor Andrew Solomon reuniu seu próprio relato, e uma visão interna de como é conviver com essa doença, a depoimentos de outras pessoas em situação semelhante e entrevistas com especialistas na área para desmistificar a depressão.

O livro também toca na maneira como lidamos com o assunto atualmente, nos tratamentos disponíveis (por remédios e alternativos) e o impacto que ela pode ter em grupos mais vulneráveis.

Nota: Saúde mental é um assunto que vai muito além da depressão, e deve ser estudado com cuidado. Infelizmente eu não encontrei nenhuma referência sobre o tema por completo, então preferi manter uma indicação mais específica, mas que posso afirmar a qualidade.

Se você conhece bons livros sobre outros problemas de saúde mental, por favor, colabore com essa postagem deixando indicações nos comentários.

O Monge e o Executivo

Liderar é servir. Existe forma melhor de desenvolver a empatia do que seguindo esse pensamento? Em O Monge e o Executivo acompanhamos uma jornada de transformação.

O executivo, que acreditava ser um líder, encontra o monge em um retiro com alguns companheiros, e lá descobre que na verdade estava sendo apenas um chefe – seus empregados não trabalhavam com ele, apenas seguiam a hierarquia.

Lições de empatia e liderança para qualquer um que queira se relacionar melhor com as pessoas à sua volta!

Inteligência Emocional

Do psicólogo Daniel Goleman, Inteligência Emocional é fruto de uma extensa pesquisa sobre como as nossas emoções influenciam nossos atos, muitas vezes de uma maneira que não dá à inteligência racional (aquela medida pelo Q.I.) uma chance de agir.

Entender como as emoções funcionam, porque são poderosas, e como fazer com que elas trabalhem a nosso favor é fundamental para evitar que elas nos dominem, e que um acesso de raiva destrua um relacionamento ou uma carreira, por exemplo.

As Armas da Persuasão

Eu demorei para decidir qual livro de Robert Cialdini deveria indicar sobre o assunto. Ele é provavelmente a maior autoridade em persuasão no mundo, e As Armas da Persuasão concentra boa parte de seu conhecimento sobre o assunto.

Quais as técnicas usadas desde vendedores de porta em porta até instituições de caridade para nos fazer pegar a carteira? Como nossas decisões são, muitas vezes, tomadas devido à um ou outro gatilho plantado em nossa mente? Como podemos influenciar mais, e nos deixar influenciar menos?

Escola não ensina raciocínios não convencionais

Outro conjunto de habilidades que a escola poderia nos ensinar, mas normalmente está longe de tocar no assunto, são as formas de raciocínio não convencionais.

Exponencial

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Quando fazemos planos de crescimento é normal usar a seguinte linha de raciocínio: se no mês passado eu fiz 100x, e nesse fiz 150x, no próximo eu posso fazer 200x.

Isso acontece, por exemplo, quando alguém está pensando em quanto tempo pode se dedicar aos estudos ou alguma outra habilidade que esteja tentando desenvolver; o nosso cérebro traça uma linha reta entre o ponto atual e o ponto onde queremos chegar.

Essa é uma maneira válida de pensar no crescimento que podemos ter, mas existe uma forma que pode visualizar resultados muito maiores, o raciocínio exponencial.

Ele significa pensar da seguinte forma: se no mês passado eu fiz 100x, e nesse fiz 150x, no próximo eu posso fazer 250x. A linha entre o presente e o futuro é uma curva, e quanto mais distante no tempo, mais ela se acentua; demonstrando aceleração.

O raciocínio exponencial se tornou popular através da lei de Moore, que previa computadores duas vezes mais potentes a cada 18 meses.

Como hoje em dia a tecnologia acelera constantemente – pense em gigantes como Spotify, Uber, Facebook, Amazon e Netflix, que não existiam 10 ou 20 anos atrás, e hoje estão entre as maiores empresas do mundo – dominar o raciocínio exponencial é cada vez mais necessário.

Não linear

Uma outra forma de raciocínio pouco lembrada nas escolas é o Não linear; ele se baseia nos sistemas dinâmicos não lineares, uma regra usada para sistemas complexos, como o meio ambiente ou a economia mundial.

Pense, por exemplo, em um plano para uma empresa crescer. Ele – seja convencional ou exponencial – implica que haverá um crescimento estável, sem “sustos”.

Mas o que aconteceria se um fornecedor dessa empresa falisse? Ou se um produto fosse mal fabricado e a empresa recebesse centenas de críticas na internet?

Todo o plano poderia cair por terra em alguns dias.

Apesar de, na prática, não ser possível determinar uma linha de crescimento que envolva todas essas possibilidades, quem domina a não linearidade está um passo à frente, pois pode planejar o que fazer caso alguma delas aconteça.

Onde aprender sobre raciocínio não convencional?

10X: A regra que faz diferença entre o sucesso X fracasso

O best-seller de Grant Cardone não esconde o jogo sobre o que se trata – uma mudança de paradigma para quem quer produzir 10 vezes mais resultados.

10X aborda desde a criação de metas incrivelmente elevadas, até os hábitos e rotinas necessários para atingir esse nível, e para trabalhar com objetivos dessa forma, o raciocínio exponencial é uma habilidade básica.

Você não consegue alcançar 10 vezes o seu potencial pensando de forma tradicional, com o gráfico de linha. Ou talvez até consiga, mas vai levar pelo menos 10 anos, e isso se estiver indo rápido.

A Lógica do Cisne Negro

Desde sempre, as pessoas acreditaram que todos os cisnes fossem brancos, e que cisnes negros não existissem. A única evidência para isso é que, até então, todos os cisnes eram brancos.

Mas como Nassim Nicholas Taleb mostra em seu livro A Lógica do Cisne Negro, o fato de todos os cisnes serem brancos só prova uma coisa: existem cisnes brancos.

Partindo dessa lógica que não procura estimar conclusões além das que os dados fundamentalmente nos mostram, Nassim expõe como sistemas complexos, sobretudo a economia mundial, estão expostos à cisnes negros – grandes mudanças inesperadas que podem fazer as previsões irem por água abaixo.

Um livro ideal para quem quer desenvolver o raciocínio não-linear e (tentar) se preparar para a aleatoriedade dos fatos, que não estão nem aí para os seus gráficos.

Conclusão

Obrigado por me acompanhar até aqui! Eu espero que você tenha encontrado pelo menos uma ideia útil nesse post – se esse for o caso, valeu a pena ter escrito ele!

Lembre-se de deixar a sua opinião aqui nos comentários; esse é um assunto para todas as vozes, já que a formação escolar é uma das bases do desenvolvimento humano.

Vamos continuar a conversa!

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Samuel de Almeida, DESEN.life

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