Como 1984 nos ensina a controlar pensamentos através de palavras?

Tempo de leitura: 9 minutos

Olá, nesse post nós iremos fazer uma viagem pelo mundo das palavras, partindo da Novilíngua usada em 1984, e passando por autores que mostram como elas realmente tem o poder de coordenar nossos pensamentos.

Você vai ver também um método de três passos para usar o poder das palavras a seu favor e literalmente eliminar os pensamentos que te impedem de alcançar seus objetivos. Acha que vale à pena? Então continua comigo até o final do post!

 

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Fonte: Love Maps On

De onde surgiu esse post?

Guerra é Paz
 Liberdade é Escravidão
 Ignorância é Força

Dos muitos elementos que George Orwell usou para construir o universo de 1984, a vigilância absoluta é o mais lembrado, mas talvez não seja o mais importante para controlar o pensamento da população de Oceânia. A Novilíngua, idioma oficial do país, tem papel de destaque no domínio que o Grande Irmão foi capaz de impor.

O objetivo da Novilíngua não era somente fornecer um meio de expressão compatível com a visão de mundo e os hábitos mentais dos adeptos do Socing (Socialismo Inglês), mas também inviabilizar todas as outras formas de pensamento. A ideia era que, uma vez definitivamente adotada a Novilíngua e esquecida a Velhafala, um pensamento herege – isto é, um pensamento que divergisse dos princípios do Socing – fosse literalmente impensável, ao menos na medida em que pensamentos dependem de palavras para ser formulados.

1984, Apêndice

Quantas vezes em sua vida você já sentiu algo e não foi capaz de descrever o que estava acontecendo com a palavra exata? Pense nas seguintes situações:

  • Um aperto no peito
  • Borboletas no estômago
  • Frio na espinha

Nós usamos constantemente de atalhos para expressar sentimentos, na maioria das vezes porque as palavras corretas são pouco conhecidas.

Infelizmente eu não encontrei um estudo sobre a quantidade de palavras faladas no Brasil (caso você conheça algum, por favor, compartilhe!), então utilizarei nesse post dados do site de Tony Robbins, um dos maiores especialistas em Programação Neurolinguística no mundo.

Segundo ele, existem mais de 500.000 palavras na língua inglesa, mas a maioria das pessoas usa em torno de 2.000 – e com frequência diária o número cai para apenas 200 a 300.

Até mesmo Shakespeare, famoso por empregar uma quantidade enorme de termos, usou 24.000, menos que 5% do total disponível.

Mas porque é tão importante conhecer e usar uma quantidade maior de palavras?

Pensamentos dependem delas para ser formulados

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Fonte: The Turing Centenary

Como descrito no apêndice de 1984, precisamos de palavras para conseguir organizar nossos pensamentos. Quando elas nos faltam, fica uma sensação de vazio; estamos sentindo algo, mas não somos capazes de explicar o que.

Por outro lado, podemos acabar utilizando palavras que supervalorizam um determinado sentimento, e transformar algo moderado em uma experiência violenta.

Experiência violenta, por exemplo, é uma ideia que nos faz pensar algo doloroso, feio, triste. Cenas de crimes podem surgir na sua cabeça enquanto você processa os termos “experiência violenta”.

Mas se eu corrigisse a frase para “uma experiência profunda” é provável que você pensasse em algo mais próximo de uma imersão, uma experiência que o faça olhar para dentro e se encontrar com os seus sentimentos.

Ou eu poderia ter dito apenas “uma experiência forte” e deixar em aberto o que exatamente quero dizer com forte, que é uma palavra de significado muito mais amplo.

De fato, uma única palavra tem o poder de influenciar a expressão dos genes que regulam o stress físico e emocional.

Palavras podem mudar seu cérebro, Dr. Andrew Newberg

Segundo o Dr. Andrew, falar as palavras corretas na ordem correta podem trazer amor, dinheiro ou respeito, enquanto as palavras erradas, ou mesmo as palavras certas ditas na ordem errada, podem levar um país à guerra.

Como usar o poder das palavras a seu favor?

Um método de três passos pode ajudar você a, literalmente, controlar seus pensamentos através das palavras que você usa. Vamos descobrir quais são eles?

Abra bem os olhos

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Fonte: Reddit.com

Para mudar algo, precisamos antes de tudo ter conhecimento sobre o que precisa ser mudado. Não podemos planejar a reforma de uma casa apenas olhando a planta dela, sem saber qual é o estado verdadeiro das paredes, do piso e do teto.

Da mesma forma, não podemos usar as palavras certas para guiar nossos pensamentos sem conhecer quais delas estão fazendo isso hoje.

Um hábito que eu recomendo para qualquer pessoa que precisa conhecer melhor algum aspecto sobre si mesma é a meditação.

Se você nunca tentou meditar, ou acredita que simplesmente não consegue; confira esse conteúdo complementar – o acesso é gratuito e livre, não precisa cadastrar e-mail ou Facebook, basta clicar no link.

Como Meditar: O Guia Básico para quem acha que não consegue

Em resumo, sente-se em silêncio num lugar isolado, preste atenção na sua respiração ou em algum objeto fixo por alguns segundos, e quando sentir que o seu corpo relaxou, passe para uma meditação mais ativa, se questionando quais pensamentos tem feito com que você não consiga dar um passo à frente.

Você pode acreditar que é incapaz de conquistar seus objetivos por ser uma pessoa preguiçosa, feia, tímida, doente, desorganizada, distraída…

No meu caso, por exemplo, eu descobri que estava me impedindo de criar o DESEN por me achar preguiçoso e tímido, que não conseguiria criar uma grande quantidade de conteúdo, e não estaria pronto para as reações das pessoas.

Esse é o primeiro passo, conhecer os pensamentos, e então separar eles da sua personalidade. Quando você escutar esses pensamentos limitantes, não tente fugir deles – olhe de frente, e procure perceber como tais ideias não são você.

Adote a Novilíngua

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Fonte: Speak The Newspeak

Calma, calma. Não estou falando sobre a Novilíngua de 1984, mas a ideia é parecida – substitua as palavras (pensamentos) que impedem o seu desenvolvimento por outras que ajudem você a atingir suas metas.

Como eu disse, “preguiçoso” e “tímido” eram as minhas maiores limitações, o que eu precisei fazer – e venho reforçando essa prática até hoje – foi encontrar conceitos que não me tornassem tão refém quanto esses.

Eu me definia como preguiçoso por não fazer as coisas que sabia serem importantes, como escrever todo dia. Que outros termos com um significado parecido eu poderia adotar?

Uma palavra que eu adotei foi desmotivado. É óbvio que essa mudança não fez com que eu me levantasse pulando para cumprir as tarefas, mas foi o primeiro passo que começou a mudar minha mentalidade.

Enquanto preguiçoso é alguém que, por definição, não está interessado em fazer algo, desmotivado é alguém que não possui motivos para fazer. Me vendo dessa forma, tudo o que eu precisava agora era criar uma carga de estímulos que me motivassem consistentemente.

Perceba que a mudança não parece grande, uma pessoa preguiçosa ou desmotivada, de toda forma, não está fazendo o que deveria.

A diferença entre não fazer por falta de interesse e não fazer por falta de motivos foi tudo que eu precisei ensinar à minha mente, e ela rapidamente encontrou uma solução que não faria sentido antes – afinal, enquanto eu me visse como preguiçoso não haveria motivação que me levasse à agir.

Vigilância absoluta

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Fonte: United State of Cinema

Uma das táticas mais importantes para impor o domínio sobre o pensamento em 1984 era a repetição constante da mensagem. Os dois minutos de ódio, por exemplo, são um momento diário onde as pessoas assistem um filme criado pelo governo, no qual é exibido um discurso contra o grande “inimigo” do país.

Se você quer usar o poder das palavras a seu favor, é preciso seguir a mesma receita usada pelo Grande Irmão: repetir todos os dias o que precisa ser aprendido.

Reserve um tempo do seu dia para treinar sua Novilíngua. Podem ser apenas dois minutos, mas se você quiser ir além, eu recomendo praticar de cinco a dez.

Lembra que eu falei sobre meditação, para conhecer melhor os pensamentos negativos? Agora, quando você se encontrar com eles, vai negá-los, e além disso irá reforçar o que deve tomar o lugar deles.

Eu não sou preguiçoso. Eu estou desmotivado. Preciso encontrar formas de me motivar.

Existe uma razão científica para praticar todos os dias: o seu cérebro irá criar uma associação entre um pensamento e o outro. Literalmente, novos neurônios irão conectar as duas áreas!

Dessa forma, toda vez que eu, por exemplo penso que sou preguiçoso, meu cérebro responde de forma automática: Não, você não é!

Esse processo parece uma espécie de dominação ideológica para você? Que bom, pois é disso mesmo que eu estou falando!

Dominar as suas próprias ideias é o caminho mais rápido para criar novos comportamentos e hábitos, necessários para subir os degraus de qualquer meta que você queira alcançar!

Conclusão

O que você achou desse post? Eu espero que você possa tirar algo de útil para o seu dia a dia!

A ideia de usar os elementos do livro tem como objetivo facilitar a compreensão de um conceito chamando Programação Neurolinguística (PNL) que, em poucas palavras, é uma maneira de mudar seus pensamentos (neuro) através da mudança nas palavras que os sustentam (linguística).

Retirando as associações com o livro, o que sobra aqui pode ser resumido no seguinte: seus pensamentos são alimentados por palavras, e caso algum deles esteja impedindo seu desenvolvimento, a melhor maneira de transformar ele em algo positivo é modificando essas palavras.

Se você acredita que esse post é útil, compartilhe ele com seus amigos (os que leram o livro e os que não leram!) – ajude a DESEN a construir uma comunidade de pessoas que ajudam no desenvolvimento umas das outras!

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Samuel de Almeida

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